21 dezembro 2007

Longa Ausência

Desde Outubro que não escrevo nada no Boletim. Acho que me está a faltar sensibilidade para o mundo à minha volta. Ou então o mundo à minha volta não me está a presentear com coisas caricatas que mereçam que faça uso da minha pena. O que é efectivamente uma pena!
Depois destas linhas ocorreu-me um pensamento: "pára de escrever, que só estás a encher chouriços". De facto.

22 outubro 2007

The Unforgettable Fire

Em 1984 os U2 lançavam o seu quarto álbum, o primeiro sob a égide da dupla Brian Eno/Daniel Lanois. Como já referi sobre um disco que está uns meses mais atrás neste blog, e auto-cito-me, Brian Eno por vezes faz os músicos dar aquele passo em frente. Em The Unforgettable Fire o rock de tom cru e consciência política do quarteto irlandês evoluiu para sonoridades mais profundas. Este trabalho é como um mergulho num universo de paisagens nocturnas, decoradas com os reverbs da guitarra de Edge e o coração de Bono. O álbum rendeu o clássico Pride (In The Name Of Love), e o fantástico Bad, este um dos momentos mais inspirados dos primeiros anos dos U2.
Ainda assim, The Unforgettable Fire vale pelo colectivo e não apenas pelas individualidades. O álbum é o primeiro lampejo da capacidade dos U2 em descobrir novas paragens na sua música. Uma capacidade que anda adormecida nos últimos anos, mas que não deve apagar os bons momentos. Recomendo:
A Sort Of Homecoming
The Unforgettable Fire

11 agosto 2007

"Eu, Carolina"

"Eu, Carolina" é, sem dúvida, o livro de 2007. A obra causou furor, pôs o dedo em várias feridas, toda a gente quis ler, toda a gente quis comprar, e até um processo judicial foi aberto por causa das coisas que Carolina Salgado escreveu.
Porém, há quem diga que muitas coisas que aparecem no livro foram incluídas a mando de gente ligada ao Benfica. Se se vier a confirmar que o livro contém partes que não são verdade, será que Carolina Salgado vai continuar a sua carreira literária, desta vez escrevendo uma errata?

Massas

É comum ouvir-se o pessoal envolvido no futebol, quando se quer dirigir aos adeptos, falar na massa associativa. Por que não podem os jogadores ser conhecidos por uma designação idêntica, tipo massa atlética, já que é de atletas que se fala?

O Festival

Sudoeste? Nada disso. Noroeste, antes. Decorre este fim de semana em Ponte de Lima o melhor de todos os festivais de Verão. É um festival de música pimba que junta nomes como José Alberto Reis, Toy, Romana, Ana Malhoa, e os incontronáveis Emanuel e Tony Carreira, entre outros.
Um fulano da organização disse que "existem os grandes festivais de verão, existem festivais de jazz, de world music. Faltava um festival de música popular portuguesa". Eu aplaudo! Acho muito bem que se faça um festival que reúna o melhor da pop portuguesa, ainda para mais quando tal evento reúne 8000 pessoas.
Pena é que esta ideia só tenha surgido em 2007. Caso ela tivesse surgido há dez anos, era bem provável que em vez de oito mil pessoas tivéssemos o dobro ou o triplo.

09 agosto 2007

Curiosidades

Hoje à tarde estava com um amigo meu quando nos deu a fome e fomos buscar qualquer coisa para lanchar. Fomos ali ao mini-mercado, cada um pegou em coisas totalmente diferentes, e no final cada um pagou o mesmo montante de 2.08€.

17 julho 2007

Eleições em Lisboa

Os resultados das eleições para a Câmara de Lisboa encerram algumas curiosidades. Começo por falar no PNR. O partido nacionalista, mal aceite pela sociedade em geral, conseguiu ficar à frente do PND de Manuel Monteiro, figura mal aceite apenas pelo... PP, que nesta eleição não conseguiu nenhum vereador, aspecto que deixou os manda-chuvas do partido com a cabeça em água.
O PP não elegeu ninguém por causa dos Independentes, que roubaram votos e deram outro sal à corrida. Carmona Rodrigues, o presidente cessante, deu uma bofetada de luva branca no PSD ao conseguir o segundo lugar, mas também... diga-se de passagem que seria muito mau que Carmona, cuja liderança teve imensos solavancos, fosse reeleito.
Ganhou António Costa (PS), mas como "os últimos são sempre os primeiros" (o último foi o PPM de Gonçalo da Câmara Pereira), é possível que a autarquia da capital volte ao mesmo fado dos últimos anos...

06 julho 2007

So

Os Genesis perderam fantasia desde que Peter Gabriel os abandonou em 1975. A fantasia, essa, manteve-se na carreira a solo de Gabriel, que em 1986 apresentou este So. Lembro-me de ter sete, oito anos e ouvir este disco por influência do meu pai. Os anos passaram e nunca deixei de gostar de So. O vídeo do single Sledgehammer é famosíssimo, por toda a elaboração de imagens, que incluíam um rosto de Peter Gabriel feito de plasticina e dois frangos frescos a dançar. Mas o álbum não vale só pelo single. As restantes músicas revelam o experimentalismo de Peter Gabriel, num trabalho consistente, que contou com a participação de músicos como Stewart Copeland (Police) e Daniel Lanois (que produziu, por exemplo, U2). As vozes de Youssou N'Dour e Laurie Anderson também se fazem ouvir, mas a presença mais vincada foi a de Kate Bush, que repartiu o vocal no magnífico Don't Give Up. A minha recomendação recai em:
Red Rain
In Your Eyes
Mercy Street

28 junho 2007

Disintegration

Em 1989 saía este Disintegration, assinado pelos The Cure. Em 12 de Novembro de 2004 adquiri uma cópia. Já conhecia os singles Lullaby e Love Song, mas ao ouvir a primeira música levei a mão à boca; na segunda levei as mãos à cabeça. Estava em presença de um grande disco.
Disintegration é tão fascinante como a faixa Lullaby deixa transparecer. Os Cure criaram neste registo algo como música para paisagens, com longas introduções e letras intermináveis, associadas a instrumentais por vezes melancólicos. Às primeiras audições, o disco começa a parecer pesado, especialmente quando se chega ao "lado B", mas a sucessão de "canhões" como Prayers For Rain, Disintegration ou Homesick fazem deste um álbum nada menos que sublime.
A voz de Robert Smith encaixa com uma luva em Disintegration. Nada de esganiçado, antes a deixar transparecer uma depressão em que o álbum nos quer fazer entrar. Recomendo:
Plainsong
Pictures Of You
Last Dance
The Same Deep Water As You
Untitled

30 maio 2007

Remain in Light

No outro dia comprei este disco. Já me disseram "as músicas têm muitos sonzinhos misturados", "isto é demasiado sinistro" e "tu estás a ficar doido, não estás?", mas a minha opinião quando o ouvi foi oposta. Isto é um grande disco.
Eu já tinha a ideia de o vocalista David Byrne ser meio avariado, e confirmei-o. As músicas têm realmente muitos sons misturados, é uma música cheia, com elementos funk, um toque africano aqui e ali e, naturalmente, aspectos mais rock. Algumas letras dão para pensar um pouco e adornam na perfeição a música que o álbum contém.
Há quem coloque os Talking Heads no universo punk, mas segmentar bandas por estilos torna-se difícil quando o trabalho tem qualidade. A qualidade provém, em parte, da presença de Brian Eno como produtor, já que Eno muitas vezes consegue fazer com que os músicos dêem aquele passo em frente. Remain in Light, de 1980, parece-me estar um passo à frente. Para ouvir:
Seen And Not Seen
Listening Wind

A Greve Geral

Hoje é dia de greve geral! Paralização. Já não havia uma greve há quatro anos e meio. As greves são sempre um grande acontecimento. Os órgãos de comunicação adoram andar por aí a ver os estragos que a greve provoca. E depois há sempre aquelas pessoas que ficam sem transporte para ir trabalhar e se queixam, dizendo mal daqueles que por um dia se intitulam grevistas.
Mas a greve é uma coisa grevíssima. GrAvíssima, aliás! Desde logo porque contribui para a poluição, pelo menos no meu caso, porque hoje fui de carro para a faculdade. A greve é também grave porque enerva as pessoas - a greve é, por excelência, uma arma ao serviço do povo, por isso o povo tem que demonstrar revolta, como se este fosse o pior dia da sua vida.
A única pessoa que está alegre no dia da greve é Carvalho da Silva, o eterno líder da CGTP-IN. Já se sabe que no Telejornal ele vai dizer que "houve uma adesão na ordem dos imensos %", enquanto o Governo vai dizer que "a greve não foi tão imensa como o que as centrais sindicais dizem".
Pois... a greve não é tão extensa por causa dos famosos fura-greves, esses bravos indivíduos que se mantêm a trabalhar mesmo enquanto os colegas laureiam a pevide à porta do local de trabalho. O furo na greve é tão mais sério se pensarmos que Carvalho da Silva é ele próprio um fura-greves - não nos esqueçamos de que hoje ele está a trabalhar...

24 abril 2007

Eleições na Madeira

Já que falei do líder regional madeirense, cá vai: começou a campanha para as eleições regionais do arquipélago. Como não podia deixar de ser, Alberto João Jardim aproveita para disparar mais uns tiros contra o Continente.
No comício de abertura da campanha, o Presidente do Governo Regional disse, sempre de dedo em riste:
"Os ministros fascistas e socialistas do Continente continuam a prejudicar a Madeira! Se eles não nos deixarem seguir o nosso caminho na liberdade da República Portuguesa, nós procuraremos outros caminhos!"
Ora aí está! Mais uma ameaça de independência. Ou AJJ representa um daqueles casos de cão que ladra não morde, ou então um dia destes ele pega e vira mesmo as costas ao Continente.
Era lindo ver a Madeira independente! Mais um membro para a CPLP, quem sabe para a ONU e para a UE. Mas mais engraçado que isso era o Cristiano Ronaldo deixar de ser português! Acabavam-se as finais do Euro e os Mundiais para ele - e se calhar para a própria selecção.
Voltando à parte das eleições, para terminar. Depois daquele discurso inflamado, havia um conjunto em palco a tocar uma música cuja letra, cantada pelo vocalista e pelo próprio AJJ, dizia assim: "quem é que não acha/que é o PSD que põe a Madeira em marcha?" Genial! O que seria da nossa vida sem estas coisas.

Em Homenagem

Faleceu o antigo Presidente da Rússia Boris Yeltsin. Enquanto político, Yeltsin suscitava, naturalmente, opiniões diversas. Mas não vou discutir as ideias políticas dele. Ele era mais que um político. Era um senhor!
Yeltsin era a versão russa de Alberto João Jardim. Se na Rússia houvesse Carnaval à moda latina, imagino o presidente mascarado e a tocar tambor pela Praça Vermelha fora, todo transpirado e já com umas vodkas a mais. À semelhança do líder madeirense, Yeltsin não se coibia de dançar em público e de, por vezes, usar um discurso virulento.
De qualquer forma, mérito a Boris Yeltsin. Ele foi o homem que assumiu o governo da Rússia logo após a queda do comunismo, conduzindo-a em direcção ao capitalismo, sem que se perdesse a imagem respeitável e temida do seu país. Na hora da despedida, aqui fica a homenagem.

30 março 2007

PNR - O (Polémico) Cartaz

Vi uma notícia sobre um cartaz que o PNR, o partido nacionalista do nosso país, afixou num outdoor na rotunda do Marquês, em Lisboa. Gerou-se imediatamente uma enorme discussão, nomeadamente no Parlamento, sobre a legitimidade do partido em difundir as ideias que o norteiam. O partido é assumidamente nacionalista, para não dizer de um fascismo misturado com racismo e/ou xenofobia. Houve quem dissesse que "são os riscos da democracia"... pois claro que são! Um país democrático tem que saber viver com coisas destas, mesmo que elas façam lembrar o Estado Novo, essa ferida aberta que ainda hoje marca a mentalidade portuguesa.
O PNR é um partido pequeno que gera um enorme mal-estar sempre que veicula as suas ideias. Gostava de saber como reagiria o país se o PNR tivesse a projecção que tem o seu congénere francês de Jean-Marie Le Pen. Ou do austríaco Jörg Haider...
Mas o que me levou a escrever este texto não foi a discussão política/ideológica. Foi o cartaz em si. Primeiro por causa da cara com que o chefe do partido, José Pinto Coelho, ficou na fotografia. Expressão mais que séria, olhos arregalados, como que a querer condenar alguém. Os políticos normais não arriscam aparecer assim! Ele sim. Politiquices à parte, este é um exemplo do verdadeiro cartaz de campanha!

05 março 2007

Músicas Promocionais

Há uma coisa a que eu acho imensa piada. Aquelas músicas que por vezes as televisões fazem para se auto-promoverem - como esta que a RTP fez para celebrar os seus 50 anos - que incluem todas as caras que compõem o quotidiano das emissões.
O pessoal canta com alegria, abana-se, sorri, faz palhaçada para as câmaras, ... Estas músicas fazem lembrar as que se faziam para beneficência nos anos 80. Com a desvantagem de não terem alguém como o Bruce Springsteen na "We Are The World", na partevdo refrão final em que ele quase que deita a garganta cá para fora. Cá em Portugal tinham que pôr algo parecido com o riso de José Carlos Malato...

01 março 2007

Artesanato

Estava a pensar, e descobri uma coisa interessante. As pessoas aprendem a fazer trabalhos manuais tipo coser, bordar, fazer cestos, etc., etc. Também se pode pensar em cozinhar, pintar, esse tipo de coisas.
Fazer charros também devia entrar para o ramo do artesanato. No fundo é algo feito à mão, e não pode ser considerado produção em série, porque um charro não sai sempre igual, tal como acontecia nas oficinas antes da industrialização, quando não se tinha inventado a linha de montagem.