11 dezembro 2008

Vinte canções essenciais da música pimba

1 Vários Mãe Querida
2 Emanuel Nós Pimba
3 Graciano Saga Vem Devagar Emigrante
4 Ágata Perfume de Mulher
5 Marante Garçon
6 José Alberto Reis Alma Rebelde
7 BandaLusa Levo-te Para Casa
8 Miguel & André Preciso Desse Amor
9 Nel Monteiro Bronca na Discoteca
10 Nelo Silva & Cristiana Diz-me Diante Dela
11 Quim Barreiros Minha Vaca Louca
12 Toy Estupidamente Apaixonado
13 Clemente Sinto Amor no Ar
14 Mónica Sintra Na Minha Cama Com Ela
15 Tentações Entrega Total
16 José Malhoa Baile de Verão
17 Dino Meira Voltei, Voltei
18 Nel Monteiro Justiça Popular
19 D'Arrasar Rainha da Noite
20 Saul O Bacalhau Quer Alho

10 dezembro 2008

Quando o Zoo Fechou

Tóquio, 10 de Dezembro de 1993. Ao cabo de 157 concertos, chegava ao final a mais extensa, mais cara, mais inovadora e quiçá mais espectacular digressão que os U2 já fizeram.
Zoo TV foi a digressão de promoção para Achtung Baby, o disco em que Bono e parceiros se transformaram em algo nunca visto, talvez mesmo algo nunca imaginado, e também para Zooropa, lançado em Julho de 1993.
Foi nesta tournée que os U2 pela primeira vez experimentaram ecrãs gigantes, muita luz e cor, novas roupas e novos cortes de cabelo, óculos escuros... ou seja, toda uma nova atitude.
A isto junte-se dança do ventre durante Mysterious Ways, emissão e recepção via satélite de e para o palco, Bono a encarnar alter-ego atrás de alter-ego, passagem por um mini-palco no meio da multidão para um set acústico e, talvez mais importante, o melhor conjunto de canções já compostas pelos U2.
Tudo isto terminou no Tokyo Dome faz hoje 15 anos. O mundo nunca mais foi o mesmo.

13 novembro 2008

A Jogada

A RTP fez recentemente com o concurso Jogo Duplo aquilo que se chama de jogada. Quem acompanhou as primeiras sessões do programa pôde seguir toda a acção de enfiada, da primeira à última pergunta - com o pseudo-humor de José Carlos Malato pelo meio.
Ao fim de umas quantas edições, quando o público já estava familiarizado com o modus operandi do Jogo Duplo, a RTP decide brincar um pouco com os espectadores e colocou um intervalo no programa - logo daqueles de 20 minutos - sem que haja um anúncio por parte do apresentador.
Ou seja, quando o espectador está a entrar no ritmo do jogo... zip! Aparece a palavra mais odiada da televisão: publicidade.
A RTP fez uma jogada baixa com os telespectadores. Primeiro conquistou-os, para depois ganhar dinheiro à custa deles. Esta não é a primeira vez que tal acontece, já com o Quem Quer Ser Milionário foi assim.
É uma falta de respeito que não fica nada bem numa estação que se diz "de serviço público".

21 setembro 2008

Viva La Vida Or Death And All His Friends


Ao quarto álbum, os Coldplay apresentam um trabalho de risco, arrojado desde a capa ao conteúdo, capaz de alienar e ao mesmo tempo ganhar fãs. Viva La Vida é um álbum fora do vulgar, e claramente mais forte que qualquer dos três anteriores.

Desde logo porque é um álbum bi-epónimo, já que o longo título resultou em duas faixas diferentes; depois porque a capa ostenta um quadro do século XIX, e não algo de futurista. Quanto à música em si, o “dedo” de Brian Eno é perfeitamente visível, e o resultado são canções mais profundas e mais trabalhadas, mais capazes de despertar emoções semelhantes às que The Scientist ou Amsterdam provocam.

Lost! ou o primeiro single Violet Hill são o reflexo de uma banda em processo de maturação, que se desenvolve sem perder aquilo que a define.

No entanto, nota negativa para os temas escondidos dentro de várias faixas, que acabam por esboroar o conceito de álbum, e tornar confusa a escuta – apesar disso, antes temas escondidos do que a impossibilidade de distinguir as canções, como acontecia em X&Y.

A última faixa, Death And All His Friends, é, ironicamente, a morte do artista, quebrando a consistência do disco quando se espera algo mais emblemático para o final.

Em sentido oposto, nota positiva para a brilhante Lovers In Japan, que é a música que os U2 sempre quiseram fazer e nunca conseguiram, e também para Cemeteries Of London e a sua inspiração hispânica.

O longo – e de certo modo irónico – título acaba por encaixar na perfeição no seu conteúdo: é a vida ou a morte dos Coldplay a ser jogada em dez canções que compõem aquele que é o melhor álbum de 2008. Destaque ainda para:

Strawberry Swing

Yes

42

20 setembro 2008

Wish

Falar em Cure traz rapidamente à memória quatro ou cinco temas, entre eles Friday I’m In Love. E se há álbuns em que o sucesso de um single acaba por ofuscar o resto do trabalho, este é um deles.
Lançado em Abril de 1992, Wish está entre os melhores álbuns dos Cure, mas o floreado saltitante da faixa mais conhecida não deixa a imagem certa do resto do disco. É verdade que o também single High bebeu da mesma água de Friday I'm In Love, mas basta ouvir desde o início para se perceber que o disco não é tão garrido como parece.

O baixo com que começa Open é o arranque para uma viagem que sem dar conta nos leva a territórios próximos de Disintegration, mesmo que a sonoridade de Wish pouco tenha a ver com a do seu antecessor.

Enquanto Disintegration soa a um desespero adornado por chuva e nevoeiro, Wish parece soar a uma alegria que só os dois singles têm. Com efeito, Apart vem das mesmas profundezas sombrias de onde surgiu Prayers For Rain, enquanto que Cut faz lembrar a faixa Disintegration. Até Friday I’m In Love começa a fazer sentido ouvindo o disco na íntegra.

Wish é cativante e contagiante, com um conjunto de canções muito bem elaboradas, preenchidas pela banda com luz e sombra em quantidades certas, explorando outros ambientes sem perder a identidade própria da sua música. Merecem destaque ainda:

From The Edge Of The Deep Green Sea

Trust

A Letter To Elise

Doing The Unstuck

17 abril 2008

A Publicidade Morreu

2008 é o ano que assinala a morte da publicidade como a conhecemos.
A publicidade deve ser uma área onde a criatividade dita leis. Mas há anúncios em que, na minha opinião, a criatividade é antes um abuso da criatividade alheia.
Falo dos reclames em que se altera a letra de uma música que toda a gente conhece. O "Chico Fininho" do Rui Veloso passou a "Preços Fininhos" do Feira Nova, e agora é o "Anzol" dos Rádio Macau que passou a "Contas Sob Contról", na versão de um banco que não me lembro qual é.
Isto é um aproveitamento da criatividade - neste caso musical - alheia, já para não falar que o "Anzol" é cantado pela fulana que ganhou a última edição da Operação Triunfo.
Foi para isto que a rapariga se esforçou? Prometem-lhe um disco e metem-na a fazer um anúncio?

07 abril 2008

Música para Dormir

Um inquérito da cadeia de hotéis Travelodge revelou que a música que os seus clientes preferem para adormecer é a dos Coldplay.
James Blunt, Take That e Norah Jones são outros dos artistas referidos no inquérito quando chega a hora de dormir.
Bem... há anos que tenho o hábito de me deitar de phones nos ouvidos, e já adormeci ao som de várias bandas. Depois corro o risco de me enforcar, porque às vezes acordo com o fio enrolado à volta do pescoço, mas essa história fica para outro post.
Na minha opinião, logo que se goste da música que se ouve para adormecer, qualquer banda serve para trazer o sono. Não é preciso ouvir chill-out nem música ambiental à moda dos Enigma - se bem que ache que deve ser difícil adormecer a ouvir coisas tipo death metal.

03 abril 2008

27 março 2008

Apetece-me Dar Um Concerto Aqui

É comum pensar-se que as grandes bandas rock - aquelas que discutem entre si o título de "maior banda do mundo" - podem fazer tudo o que quiserem, e os argumentos para pensar isso são vários.
Mas os Rolling Stones não. Havia uma coisa que eles não podiam fazer, que era tocar em Blackpool, Inglaterra.
Num dos seus primeiros concertos, em 1964, houve um motim, desencadeado quando um espectador cuspiu no falecido Brian Jones. As vítimas foram os lustres, os assentos, e até um piano de cauda, e o resultado disso foi uma proibição da banda actuar naquela localidade. 44 anos depois, a proibição foi revogada.
Tão rígidos que são os responsáveis pelo Empress Ballroom onde ocorreu o motim... Até acredito que na altura pensassem que estavam a fazer uma grande coisa, mas foi preciso os Stones chegarem a velhos, ao fim de milhões de discos vendidos e inúmeras digressões mundiais, para perceberem quão ridículo era boicotar estes monstros do rock'n'roll.
Porque efectivamente eles podem tocar onde lhes apetecer.

21 março 2008

PopMart

Passam hoje dez anos sobre o final da digressão PopMart. O concerto de encerramento, a 21 de Março de 1998 em Joanesburgo, foi o último dos dois que os U2 deram no continente africano em toda a carreira.
Bono é um conhecido activista dos direitos humanos, e nos últimos anos quase que chora em palco a pedir aos espectadores para se juntarem à luta por um melhor futuro para África. Mas ir lá tocar outra vez é que tem estado fora de questão.
De qualquer maneira, não foi para criticar que resolvi escrever isto. PopMart nem é a minha fase preferida dos U2. Mas um espectáculo com um palco tão megalómano merece que se assinale a efeméride.
PopMart era para ser uma coisa ainda melhor que a precedente Zoo TV. Mas acabou por ser um tiro pela culatra, já que algumas canções não resultavam muito bem ao vivo.
Pop era um disco difícil de transpor do estúdio para a realidade, e a extravagância do palco talvez merecesse um concerto musicalmente mais poderoso - porque Pop não é um disco mau.
Não se podendo reescrever a história, resta ver o DVD gravado na Cidade do México e/ou ouvir os muitos bootlegs que andam por aí. Hoje é um bom dia para isso.

Look Alike I


Look Alike nº 0


12 março 2008

Ânimos Quentes na Neve

A zona leste do Canadá tem sido atingida nos últimos dias por nevões como há muito não se via. A persistência da queda dos flocos está a dar cabo da paciência aos habitantes daquela zona, que se estão a envolver em situações demasiado latino-americanas.
Há vizinhos à pancada porque um limpou a neve do seu quintal para o do vizinho, outros desentendem-se por causa dos lugares para estacionar o carro - não deve ser fácil movimentar-se a pé com neve pelo joelho, quanto mais de carro... - e outros ainda ameaçam o pessoal dos serviços de remoção de neve.
Foi o que um homem fez em Québec City, primeiro batendo com uma pá no vidro do carro limpa-neves, e depois indo buscar a caçadeira a casa, tudo porque o veículo estava a deitar neve no seu jardim.
Se os canadianos acabam a reagir assim por causa de uma coisa que vai demorar, mas há-de derreter, imagine-se o que nós, latinos, faríamos quando nos fartássemos de tanta neve.

04 março 2008

Músicos sem Drogas

Um relatório das Nações Unidas revela que vários Governos, cujas nacionalidades não foram dadas a conhecer, não fazem um bom combate ao tráfico de droga, na medida em que tomam medidas contra os consumidores banais e os pequenos dealers, em vez de irem atrás dos grandes traficantes.
Exactamente! Claramente! Os consumidores e os dealers são o estrato mais baixo da pirâmide, logo, o mais fácil de apanhar. Ainda que muitos consumidores não estejam interessados em perturbar a ordem pública...
O mesmo relatório diz que este aspecto permite que as celebridades - que compram droga(s) (duras) em grandes quantidades - passem incólumes.
Este pormenor é, se calhar, mais terrível que andar atrás do indivíduo que está a fumar um charro na via pública. Isto porque se não tivessem sido as quantidades industriais de drogas que tantos músicos consumiram enquanto escreviam/gravavam discos, talvez muita da música que hojee conhecemos e ouvimos não fosse tão brilhante.

03 março 2008

Competição Infra-Estrutural

Tem-se debatido a construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo. Discute-se se a ponte há-de ser aqui ou um quilómetro mais acima, e como se vai conjugar a circulação rodoviária e ferroviária.
Tudo isso porquê? Porque a capital está em clara desvantagem em relação ao Porto no tocante ao número de pontes. A Invicta ostenta seis travessias - seriam sete se a Ponte das Barcas não tivesse caído - das quais apenas uma não está em utilização... Lisboa tem duas, e talvez só vá parar quando conseguir bater o recorde nortenho.
Quase como no capítulo dos aeroportos. O terminal de Pedras Rubras foi ampliado e remodelado, e a reboque vai ser construído um novo para Lisboa.

20 fevereiro 2008

Strangeways, Here We Come

Os Smiths são vistos como um dos nomes fulcrais da cena de Manchester dos anos 80, mas a música deles soa por vezes a corriqueira, não fossem os excelentes dotes lierários de Morrissey.
Ouvi The Queen Is Dead (1986), e depois Meat Is Murder (1985), e embora o primeiro álbum seja o mais conhecido dos Smiths, e inclua temas interessantes, aquele que melhor impressão me deixou foi este Strangeways, Here We Come, de 1987, o último da existência da banda.
O álbum segue a linha do seu antecessor, uma pop de fácil digestão, sem grandes floreados, num disco que parece abordar a situação que o grupo vivia. A banda estava em convulsão, a precipitar-se para o desmembramento, o que não impediu a gravação de um álbum consistente, ainda que breve (35 minutos), de onde ressalta a ironia literada de Morrissey, que brinca com a vida de músico em Paint A Vulgar Picture.
Torna-se difícil escolher os pontos altos do disco, não só pela minha pouca familiaridade com a história dos Smiths, mas também porque a música é tão leve que acaba por se ouvir o disco todo de enfiada sem ter tempo de o apreciar convenientemente.
Comprei-o ontem, e já o ouvi meia dúzia de vezes. A concisão a isso ajuda. Ainda assim, para ouvir:
A Rush And A Push And The Land Is Ours
Death Of A Disco Dancer
Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me
I Won't Share You

17 fevereiro 2008

Por que não posso ir?

"Funeral" é aquela palavra que as pessoas preferem não pronunciar, nem sequer pensar. É sempre - na teoria - um momento de tristeza, sofrimento e dor, vestes negras, e um ambiente, naturalmente, muito low key.
Mas visto por outro ponto de vista, os funerais são uma coisa estranha. Podemos ir a centenas de enterros, sabemos que um dia vamos ter o nosso próprio, mas... não vamos lá estar!
O funeral é a única cerimónia em que a pessoa para quem ela se realiza NUNCA está presente.

01 janeiro 2008

De Fugir

Cruzei-me com esta na Worten do Norteshopping nos últimos dias de 2007. Ao fazer uma espécie de panorâmica à loja com os olhos, saltou-me à vista este cartaz. É certo que a língua japonesa é muito diferente do português, mas isto revela que a pessoa que fez o cartaz não percebe nada dos artigos que a loja vende. E é feio para um estabelecimento que gasta milhares em publicidade.
O título deste post indica o que eu fiz mal vi isto. Tirei uma foto - não com uma Fuji A900 - e fugi da loja.