21 setembro 2008

Viva La Vida Or Death And All His Friends


Ao quarto álbum, os Coldplay apresentam um trabalho de risco, arrojado desde a capa ao conteúdo, capaz de alienar e ao mesmo tempo ganhar fãs. Viva La Vida é um álbum fora do vulgar, e claramente mais forte que qualquer dos três anteriores.

Desde logo porque é um álbum bi-epónimo, já que o longo título resultou em duas faixas diferentes; depois porque a capa ostenta um quadro do século XIX, e não algo de futurista. Quanto à música em si, o “dedo” de Brian Eno é perfeitamente visível, e o resultado são canções mais profundas e mais trabalhadas, mais capazes de despertar emoções semelhantes às que The Scientist ou Amsterdam provocam.

Lost! ou o primeiro single Violet Hill são o reflexo de uma banda em processo de maturação, que se desenvolve sem perder aquilo que a define.

No entanto, nota negativa para os temas escondidos dentro de várias faixas, que acabam por esboroar o conceito de álbum, e tornar confusa a escuta – apesar disso, antes temas escondidos do que a impossibilidade de distinguir as canções, como acontecia em X&Y.

A última faixa, Death And All His Friends, é, ironicamente, a morte do artista, quebrando a consistência do disco quando se espera algo mais emblemático para o final.

Em sentido oposto, nota positiva para a brilhante Lovers In Japan, que é a música que os U2 sempre quiseram fazer e nunca conseguiram, e também para Cemeteries Of London e a sua inspiração hispânica.

O longo – e de certo modo irónico – título acaba por encaixar na perfeição no seu conteúdo: é a vida ou a morte dos Coldplay a ser jogada em dez canções que compõem aquele que é o melhor álbum de 2008. Destaque ainda para:

Strawberry Swing

Yes

42

20 setembro 2008

Wish

Falar em Cure traz rapidamente à memória quatro ou cinco temas, entre eles Friday I’m In Love. E se há álbuns em que o sucesso de um single acaba por ofuscar o resto do trabalho, este é um deles.
Lançado em Abril de 1992, Wish está entre os melhores álbuns dos Cure, mas o floreado saltitante da faixa mais conhecida não deixa a imagem certa do resto do disco. É verdade que o também single High bebeu da mesma água de Friday I'm In Love, mas basta ouvir desde o início para se perceber que o disco não é tão garrido como parece.

O baixo com que começa Open é o arranque para uma viagem que sem dar conta nos leva a territórios próximos de Disintegration, mesmo que a sonoridade de Wish pouco tenha a ver com a do seu antecessor.

Enquanto Disintegration soa a um desespero adornado por chuva e nevoeiro, Wish parece soar a uma alegria que só os dois singles têm. Com efeito, Apart vem das mesmas profundezas sombrias de onde surgiu Prayers For Rain, enquanto que Cut faz lembrar a faixa Disintegration. Até Friday I’m In Love começa a fazer sentido ouvindo o disco na íntegra.

Wish é cativante e contagiante, com um conjunto de canções muito bem elaboradas, preenchidas pela banda com luz e sombra em quantidades certas, explorando outros ambientes sem perder a identidade própria da sua música. Merecem destaque ainda:

From The Edge Of The Deep Green Sea

Trust

A Letter To Elise

Doing The Unstuck