
Ao quarto álbum, os Coldplay apresentam um trabalho de risco, arrojado desde a capa ao conteúdo, capaz de alienar e ao mesmo tempo ganhar fãs. Viva La Vida é um álbum fora do vulgar, e claramente mais forte que qualquer dos três anteriores.
Desde logo porque é um álbum bi-epónimo, já que o longo título resultou em duas faixas diferentes; depois porque a capa ostenta um quadro do século XIX, e não algo de futurista. Quanto à música em si, o “dedo” de Brian Eno é perfeitamente visível, e o resultado são canções mais profundas e mais trabalhadas, mais capazes de despertar emoções semelhantes às que The Scientist ou Amsterdam provocam.
Lost! ou o primeiro single Violet Hill são o reflexo de uma banda em processo de maturação, que se desenvolve sem perder aquilo que a define.
No entanto, nota negativa para os temas escondidos dentro de várias faixas, que acabam por esboroar o conceito de álbum, e tornar confusa a escuta – apesar disso, antes temas escondidos do que a impossibilidade de distinguir as canções, como acontecia em X&Y.
A última faixa, Death And All His Friends, é, ironicamente, a morte do artista, quebrando a consistência do disco quando se espera algo mais emblemático para o final.
Em sentido oposto, nota positiva para a brilhante Lovers In Japan, que é a música que os U2 sempre quiseram fazer e nunca conseguiram, e também para Cemeteries Of London e a sua inspiração hispânica.
O longo – e de certo modo irónico – título acaba por encaixar na perfeição no seu conteúdo: é a vida ou a morte dos Coldplay a ser jogada em dez canções que compõem aquele que é o melhor álbum de 2008. Destaque ainda para:
Strawberry Swing
Yes
42
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