
Março de 2009 viu os U2 regressarem com novo disco, quase cinco anos depois de um tiro ao lado chamado
How To Dismantle An Atomic Bomb – a crítica adorou, mas eu não fiquei nada convencido.
De volta ao lar, que é como quem diz, às mãos milagrosas de Brian Eno e Daniel Lanois,
No Line On The Horizon é um álbum que na primeira audição nos deixa aterradoramente perto de
How To Dismantle…, mas que à segunda deixa uma sensação constante de se estar perante o novo
Achtung Baby.
Embora o disco não atinja o “músculo” de 1991, faixas como
Breathe e
Unknown Caller são de se lhe tirar o chapéu – a segunda traz mesmo algumas reminiscências de Talking Heads no refrão.
Note-se o aspecto de a dupla de produtores ser co-compositora de seis temas, facilmente distinguíveis quando comparados com os restantes, escritos exclusivamente pela banda – a já referida
Breathe é uma notável excepção. Assim como é notável
Magnificent, o segundo
single, simplesmente descrito pelo adjectivo que lhe dá título.
No instrumental que antecede a árida
Being Born, outras reminiscências aparecem, neste caso de passagens do clássico
“heroes” de David Bowie, num álbum que recoloca os U2 no patamar de excelência que várias vezes ocuparam ao longo dos anos.
O ponto negativo do disco vai claramente para… o próprio
single de apresentação,
Get On Your Boots. Apesar de fazer sentido com o resto se ouvirmos o disco de início a fim, não deixa de ser a trigémea de
Elevation e
Vertigo,
singles ultra-comerciais, a roçar o descartável, mas necessários para suportar as vendas do álbum.
Nestes tempos, nada que impeça levantar o polegar a este
No Line On The Horizon, de que vale a pena escutar ainda:
No Line On The HorizonMoment Of SurrenderCedars Of Lebanon[NOTA: post reformulado. Originalmente publicado em 8 Março 2009]