12 fevereiro 2010

Achtung Baby

“Temos que nos ausentar e sonhar tudo outra vez”.
Esta frase foi proferida por Bono num dos últimos concertos da digressão de 1989, quiçá já sentindo estar no final do caminho que os U2 percorreram ao longo dos anos 80. Esse sonho acordou em Novembro de 1991 sob o título Achtung Baby, o difícil e arriscado sétimo álbum.
Novamente com a dupla Eno/Lanois aos comandos depois de um interregno de um álbum, os U2 operam uma revolução sónica e até imagética. O primeiro single, The Fly, marca a ruptura com o passado, através do uso de guitarras quase industriais, ritmo forte e uma atitude combativa como não se via desde Sunday Bloody Sunday.
Num álbum mais introspectivo do que interessado em salvar o mundo, One e Mysterious Ways tornaram-se clássicos, mas Even Better Than The Real Thing e Until The End Of The World merecem sentar-se à sua direita.
O disco perde algum vigor na parte final – o antigo “lado B”. Ainda assim mantém-se brilhante, com Love is Blindness a fechá-lo em tom viajante, mas angustiado, depois de Ultra Violet (Light My Way), um tema que embora já tenha aparecido no topo de votações dos fãs, passou mais de 15 anos sem ser tocado ao vivo.
No seu todo, Achtung Baby é um disco ambicioso, capaz de conquistar ou alienar quem se interessa por U2. Um risco ganho, numa reinvenção bem conseguida. Ainda a ouvir:
Zoo Station
Who’s Gonna Ride Your Wild Horses
Acrobat
[NOTA: este post foi reformulado. Originalmente publicado em 10 Set 2006]

1 comentário:

Anónimo disse...

Já falámos disto... É sem dúvida um álbum influente no período em que é editado. Os U2 apercebem-se - e talvez nisso inspirados - que se devem reinventar. E porquê? Porque querem ser a maior banda do mundo. E para tal, mais do que tudo, há que estar na crista da onda. Leaders not followers.