15 fevereiro 2010

Love Over Gold

Em 1982, os já extintos Dire Straits surgiam com o seu quarto álbum. Quase um EP, tendo em conta as cinco faixas, mas note-se que todas se prolongam por mais de cinco minutos – algumas, por bem mais.
O relâmpago que compõe a capa de Love Over Gold não significa que seja um disco tempestuoso, mas é indicador de mais nebulosidade que o habitual. Um aspecto que se nota imediatamente, na introdução cortante do fantástico épico de 14 minutos Telegraph Road, faixa cuja letra aplicar-se-ia bem aos tempos de crise que se têm vivido ultimamente.
A tradição de canções-retrato sobre personagens mais ou menos honestas mantém-se neste disco, na intrigante Private Investigations e no tema que dá nome ao álbum.
Também como é apanágio dos Dire Straits, as canções baseiam-se em melodias cuidadosamente construídas, salpicadas pela guitarra de Mark Knopfler, que pode não ter grande voz, mas cujos dedos e cordas são a alma da banda.
Industrial Disease, o tema mais galhofeiro do disco – fala sobre uma empresa em frangalhos – e It Never Rains completam um álbum curto, mas de qualidade.
Love Over Gold vem do tempo em que era possível gravar um disco de cinco músicas, sem singles de dimensão global directamente extraídos, e obter sucesso com o álbum da digressão. O duplo ao vivo Alchemy, de 1984, teve como single a faixa Love Over Gold, em versão mais curta – sem os belíssimos dois minutos finais da versão álbum, claramente a melhor passagem do disco.

1 comentário:

Anónimo disse...

Épico e Dire Straits são palavras poucas vezes colocadas juntas. Este é um disco épico. O LP de 1982 vê a banda de Mark Knopfler encetar um caminho interessantíssimo e que se revelou de extrema eficácia: a composição de temas/ histórias imagéticas, com princípio meio e fim. Não é como se os Dire Straits quisessem fazer um álbum conceptual... mas é justo chamar a este um disco de contos.
Os destaques distribuem-se pelas duas faixas iniciais, para além do tema título. Só "Telegraph Road" e os seus 14 minutos de ricos em pormenores e variações valem a pena a aquisição deste clássico, muito esquecido e abafado pelo tempo... e o sucesso massivo de "Brothers in Arms" alguns anos mais tarde.