04 março 2010

Live at the Olympia

Este duplo registo ao vivo dos R.E.M. não é um concerto. Como o baixista Mike Mills anuncia antes de ser tocada qualquer nota, “this is not a show”.
Live at the Olympia, de 2009, parece um concerto, mas é antes a compilação dos diferentes temas tocados ao longo de cinco ensaios, gravados em Dublin em 2007, antes da edição de Accelerate.
Entre os 39 temas aparecem nove que entrariam no futuro álbum; olhando às restantes escolhas, os R.E.M. parecem querer deixar claro onde foram buscar a inspiração para as novas criações. A presença de seis faixas de Reckoning (1984), cinco de Fables of the Reconstruction (1985) e outras quatro do EP de apresentação da banda, Chronic Town (1981), indica um regresso aos verdes anos.
Apesar de Live… abranger a quase totalidade de 30 anos de carreira, é interessante como aparentemente todas as músicas parecem vir da mesma época – comparem-se as duas primeiras faixas, Living Well is the Best Revenge/Second Guessing, separadas por 24 anos.
O disco não só revitaliza uma parte do trajecto dos R.E.M. que estava nas brumas da memória, como também recorda algumas pérolas, casos de New Test Leper, Cuyahoga, Electrolite e Drive. Uma categoria onde também figuram Kohoutek, Feeling Gravity’s Pull e Welcome to the Occupation.
Nota também para Disguised, que mais não é que uma versão embrionária de Supernatural Superserious, que viria a ser single de Accelerate.
Live at the Olympia é mais uma visita ao passado, depois de uma colectânea recente, mas o facto de os grandes êxitos estarem arredios do alinhamento torna-o num disco mais para conhecedores do que para leigos dos R.E.M.

1 comentário:

Anónimo disse...

Após uma trajectória repleta de êxitos, acima de tudo qualitativos, os R.E.M. "dão-se ao luxo" de reviver os primórdios da sua história de uma forma não nostálgica mas de comunhão com o futuro, uma harmonia que teve como fundo essencial a composição e gravação do belo "Accelerate".
O fundo de catálogo do trio não é um simples aperfeiçoar de fórmulas ou algo género... é a essência do Rock Alternativo norte-americano, é a essência de um grupo de artistas de uma cidade que explodia artisticamente.
Estas obras criadas sobretudo entre 1983 e 1985 fundamentaram a tradição da canção norte-americana, desde as proeminentes guitarras dos Byrds, ao vanguardismo dos Velvet Underground, numa base urbana e ingenuamente genial, que, entre outros, influenciou e, acima de tudo, inspirou nomes como Pixies ou Nirvana, em especial o seu carismático líder. Cobain sabia bem "what R.E.M. is all about"...