Em Setembro de 1989 os Tears For Fears finalmente estavam de volta, depois dos êxitos globais alcançados com Shout e Everybody Wants to Rule the World, quatro anos antes. O seu terceiro trabalho de estúdio foi um parto demorado, fruto da dificuldade em encontrar um rumo depois do sucesso de Everybody…, faixa que com o passar dos anos viria a figurar entre as mais tocadas pelas rádios.Esse rumo surgiu quando a dupla inglesa conheceu a cantora jazz americana Oleta Adams, que os levaria a largar as sonoridades electro-pop em troca de um estilo mais melódico. O resultado final é um conjunto de canções mais expressivas, mais humanas, com aspectos jazz e até blues – Badman’s Song e Standing On The Corner Of The Third World são um bom exemplo disso.
O single Sowing The Seeds Of Love, soalheiro mas queixoso em relação à política britânica da época, ficou como cartão de visita do álbum, antes de Advice For The Young At Heart, outro dos pontos fortes.
O tema de abertura, Woman In Chains – com bateria de Phil Collins e Oleta Adams a partilhar a voz com o guitarrista Roland Orzabal –, é belíssimo, assim como Famous Last Words, que fecha o disco em tom pensativo.
De passagem, ouvir ainda os lados B dos quatro singles, incluídos na edição remasterizada. Demasiado abstractos para figurar no alinhamento de The Seeds Of Love, mas o instrumental Music For Tables é bem interessante.
Em 1982, os já extintos Dire Straits surgiam com o seu quarto álbum. Quase um EP, tendo em conta as cinco faixas, mas note-se que todas se prolongam por mais de cinco minutos – algumas, por bem mais.
Março de 2009 viu os U2 regressarem com novo disco, quase cinco anos depois de um tiro ao lado chamado How To Dismantle An Atomic Bomb – a crítica adorou, mas eu não fiquei nada convencido.
Muitas bandas têm álbuns que apesar de serem bons, passam ao lado dos olhos do grande público. São os chamados álbuns subestimados, aqueles que deixam a sensação de que só nós os conhecemos.
Capa em fundo negro, com a silhueta de uma rosa em vermelho ao meio. Pressiona-se “play”, e o que se ouve condiz com os tons negros da capa.
“Temos que nos ausentar e sonhar tudo outra vez”.
Por pouco que este álbum se tornava no Chinese Democracy dos Cure. Ou nem tanto…